Matriz de São Gonçalo: igreja bicentenária

Igreja Matriz: patrimônio histórico

Cuidar do patrimônio é uma forma de valorizar a história e a identidade. A preservação de um bem com valor histórico, cultural, afetivo, religioso deve ser realizado por todos: Administração Municipal, sociedade civil, instituição religiosa, Conselho Municipal de Patrimônio Histórico. 

Uma das últimas ações realizadas em prol da Igreja Matriz e por extensão, uma forma de cuidado com a população, foi a retirada de doze colmeias que a Prefeitura, através Secretaria Municipal de Cultura realizou. Todas as atividades foram de forma compatível com o respeito ao meio ambiente. As colmeias foram retiradas do prédio e instaladas em local monitorado por um apicultor.

Dados levantados sobre a Igreja Matriz de São Gonçalo devem estar ao alcance de todos. Segue abaixo, um texto com informações sobre o referido bem patrimonial.

1

Informe Histórico do Bem Cultural
Igreja Matriz de São Gonçalo do Amarante 

Segundo o historiador de São Gonçalo, Geraldo Moreira, a Igreja Matriz foi construída em 1760, “quando, por provisão do Vigário Capitular Dr Inácio Corrêa de Sá, foi criado o Curato de São Gonçalo do Pará, filiado à Paróquia de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui”(1). No livro desse ilustre historiador da terra não foi encontrado, além da provisão acima mencionada, qualquer outra referência documental que dê base para afirmar que a Igreja Matriz é uma igreja da segunda metade do século XVIII, o que permite a esta equipe técnica, se não contestar, pelo menos colocar em dúvida a afirmação, já que a provisão do vigário capitular não comprova que, de fato, a construção da Igreja se iniciou em 1760 (em outros textos, aparece o ano de 1751 como sendo o de início da construção, mas não existe neles qualquer comprovação documental que possa ser considerada fidedigna). Repetida exaustivamente, a afirmação de Geraldo Moreira (de que a Igreja Matriz foi construída em 1760) foi tomada como fato, mas até hoje permanece a dúvida, pois, muitos moradores de São Gonçalo do Pará acreditam que a Igreja Matriz data do século XIX, talvez da sua primeira metade. 
Polêmicas a parte, o que esta equipe acredita ser a hipótese mais plausível é a de que existiu no exato local onde hoje se ergue a Matriz uma capela primitiva, erguida pelos primeiros povoados nas primeiras décadas do século XVIII, e que, por volta de 1750-1760 foi restaurada, tendo seu espaço ampliado através de modificações na sua estrutura, que deram à igreja características de Matriz, a atual Igreja Matriz, teria sido (muito provavelmente) o resultado de uma terceira (ou, talvez, quarta) ampliação/reforma que teria sido realizada na primeira metade do século XIX, dando à Igreja as características que ela preserva até os dias de hoje, e que lembram o estilo artístico e arquitetônico do século XVIII.
Segundo Geraldo Moreira, os primeiros povoadores de São Gonçalo foram Felipe de Freitas Mourão e sua esposa Estefânia de Mourão Bravo, que se viram envolvidos nos motins de Pitangui e que, temendo a fúria do Conde de Assumar, governador da Capitania de São Paulo e Minas do ouro, resolveram fugir da vila antes que a sua situação piorasse. Sem destino certo, o casal seguiu o rio Pará acima e se encontrou com dois outros fugitivos (só que provenientes de outra vila rebelde: Vila Rica, hoje Ouro Preto): os portugueses Pero Gonçalves do Amaranto e Estácio Campos de Borgonha². 

¹ Moreira, Geraldo. História e estória da minha terra. Divinópolis: Academia Divinpoli8tana de Letras, 1997, p.69.
² Moreira, Geraldo. História e estória da minha terra. Divinópolis: Academia Divinopolitana de Letras, 1997, p.29-30.

2

O que parece claro é que os fugitivos de Pitangui e Vila Rica se entenderam e exploraram as matas próximas ao Rio Pará, chegando a um terreno que se mostrou bom para o plantio de gêneros de primeira necessidade, às margens de um ribeirão, onde construíram algumas casas e ranchos de pau-a-pique cobertos de sapé. Em 07 de setembro de 1735 deram por terminados as construções, inclusive a de uma capela dedicada a São Gonçalo do Amarante, santo da devoção dos portugueses (3). 
Essa teria sido a “capela primitiva”, da qual se originaria a atual Igreja Matriz, (o que, no entanto, não passa de uma hipótese, pois não se sabe se a capela primitiva foi erguida no exato local onde hoje se encontra a Matriz de São Gonçalo do Amarante, embora a presença dos vestígios de um antigo Cruzeiro bem em frente à atual Matriz – erguido provavelmente antes dela – seja um indício de que ali era um local tradicionalmente sagrado.
Conforme foi apresentado no Informe Histórico do Município, produzido por esta equipe, São Gonçalo do Amarante foi um dos santos portugueses mais populares do período medieval e moderno, tendo chegado ao Brasil no início do século XVI , junto com os primeiros colonizadores, onde viu sua devoção se expandir por todo o território da colônia, sobre tudo entre os tropeiros, mascates e viajantes. Estes foram devotos fervorosos, “que para se protegerem dos perigos daquela vida quase selvagem, da ameaça de ataque de índios, de salteadores que tocaiavam nos caminhos, de feras, de doenças, ou ainda de tempestades e outras bravezas da natureza, se socorriam nas orações e na proteção do Santo (4).
A “capela primitiva”, dedicada a São Gonçalo do Amarante, “é um indício bastante forte do que parece ter sido a intenção dos primeiros povoadores do futuro município de São Gonçalo do Pará: a de que o povoado se tornasse um ponto de pouso para viajantes e comerciantes que percorriam o território mineiro: um lugar onde os mercadores e demais viandantes pudessem encontrar milho para alimentar seus cavalos e mulas, feijão cozido com toucinho e farinha de mandioca para o seu próprio sustendo e de seus escravos, bem com a cachaça da terra, muito importante, naquela época, para aliciar as tensões da longa jornada”(5).
Segundo relatos de moradores de São Gonçalo, ao mandar retirar um piso velho da Igreja, um antigo pároco da cidade encontrou ossadas de pessoas que haviam sido enterradas ali. Mais um indício de que existiu naquele local, no século XVIII, um templo católico, já que era costume, naquela época, enterrar os mortos em “solo Sagrado”, ou seja, dentro ou nas proximidades de igrejas e capelas. No entanto, mesmo que ainda existam vestígios do século XVIII na atual matriz de São Gonçalo, o que é mais provável é que a Igreja, nas suas características atuais, seja da primeira metade do século XIX.

3 – Origem do Município. Informe da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Pará.
4 – São Gonçalo do Amarante. Jornal O Tempo. Arquivo da Biblioteca Municipal Padre José de Queiroz – São Gonçalo do Pará. 
5 – Informe Histórico do Município de São Gonçalo do Pará, produzido pela Equipe Técnica do Patrimônio Cultural de São Gonçalo do Pará.

3

Geraldo Moreira registrou em seu livro, “Em 1750, foi obtido em Mariana a licença, porém que o povoado recebesse o nome de São Gonçalo do Pará. Com a escassez de padres na província o curato foi filiado à paróquia de Nossa Senhora da Piedade de Pitangui, que passaria a dar assistência a paróquia ao curato de São Gonçalo do Pará, mandando mensalmente um cura que ali passaria o tempo necessário para exercer os ofícios religiosos necessários. A construção da Igreja de São Gonçalo do Amarante que ocupou o mesmo lugar da antiga capela, durou cerca de 4 anos (1751 a 1755) e teve como construtor José Oliveira da Costa e sua equipe especializada em construção de igrejas. A equipe compunha-se de 1 mestre de obras, 2 carpinteiros, 3 pedreiros, 1 pintor e vários serventes, quase sempre escravos.” (6). Não há registro deste fato descrito e o autor não cita em seu livro, porém sabe-se pelos antigos, e mesmo nas várias restaurações que a Igreja sofreu, que a mesma foi feita de grandes blocos de adobe, e seu interior o piso era lajeada.
Inúmeros padres passaram por ali e contribuíram para a história da Matriz, desde os primeiros Padres Torres e Padre Penido, na primeira metade do século XIX (não foram encontrados registros documentais de párocos anteriores a estes).Segue em seguida registro cronológico, dos padres conforme anotações no livro do tombo – Paróquia de São Gonçalo. 
- Em 1748, a Vila de Pitangui, foi erigida em Igreja Paroquial, teve condecoração de coletiva, tendo oito capelas curadas a de Santa Ana do Onça, por provisão ordinária de 1752, entre as oito, consta São Gonçalo do Pará em 1767. Conforme a história, Felipe de Freitas, de origem portuguesa, aqui chegando se fez senhor de muitas sesmarias. È muito provável que o patrimônio em terras foi doado no ato e ereção, a capela filial, pois é de costume vigente de tempos imemoriáveis que para uma capela ser benta e filiada, cumpria que tivesse um patrimônio. Pela tradição, reza-se que o que foi oferecido foram as terras de Felipe de Freitas.
- Em 1848 pela lei 386, foi elevada a distrito. 
- Em 1856 – primeiro pároco Padre Francisco Calixto Fonseca- Conta-se que naquele tempo já havia dois partidos políticos que se orientavam pelo império. Conservadores e Liberais. Padre Calixto, pertencia aos liberais e pela derrota que sofrera nas eleições locais e pelo triunfo geral do partido a que se filiara, obteve do governador a transferência da sede paroquial para o arraial de Cajuru. Isto se deu em 06 de agosto de 1864, lei mineira 1196. Durante quatro anos.
- 1868 – Pároco Padre Isaias José da Silva Marques.
- 1870 – Em 15 de setembro, pela lei mineira Nº 1635, foi reintegrada a freguesia de São Gonçalo do Pará o título de Paróquia. Anulou-se, pois, o ato de Transferência desta paróquia para Cajuru. Em 1º de outubro, toma posse como vigário P.E Caetano Maria Romanelli de Philão. Foi o responsável pela organização dos arquivos paroquiais, aquisição de castiçais de metal e o assoalhamento e forro da Matriz.
- 1874 – Pároco Padre Hypólito de Oliveira Campos- Honrados pelos seus festejos da festa de Maria e seus Sermões.
- 1877 – Lei Provincial Nº 2408, de 05/nov/77 – O distrito de São Gonçalo do Pará foi desmembrado do município de Pitangui e anexado à Vila de Nossa Senhora da Piedade do Pará, então Vila Patafufo, hoje Pará de Minas. 
- 1885 – Padre Joaquim Lopes Cançado – Continuidade aos trabalhos de seu antecessor.
- 1889 – Padre Sebastião da Costa Gontijo. Foi Pároco durante 36 anos. Tomou posse em 30 de setembro. Fundador da Adoração Diurna a Jesus Sacramentado. Conforme conhecimento popular, era um padre querido pelo povo, suas celebrações em especiais as festivas, mês de Maio, Semana Santa, eram calorosas e muito concorridas, inclusive com populares de cidades vizinhas. Com sua morte foi atendida o seu desejo “ meu coração é do povo de São Gonçalo, meu corpo é da terra de São Gonçalo”. O seu túmulo se destaca no Cemitério Municipal, pela forma e pela reverência que recebe.

(6) Moreira, Geraldo. História e estória da minha terra. Divinópolis: Academia Divinopolitana de Letras, 1997, P.36 . 

4

- 1925 – Padre Fortunato de Souza Pereira. As associações não recebendo os socorros espirituais, escreveram ao Bispo Diocesano D. Cabral, que não queriam tal sacerdote como vigário, em que foram atendidos.
- 1926 – Padre Oscar Ferreira da Silva – Por motivo desconhecido o próprio vigário solicitou ao bispo demissão da paróquia.
- 1927 – Padre Antônio da Assumpção (30 Janeiro a 1º de julho)
- 1927 – Padres Franciscanos: Frei Hilário, Frei Samuel, Frei Luis, Frei Mário. Estes freis permutaram com Padre José Alexandre de Mendonça, vigário de Cajuru os serviços espirituais aos Sangonçalenses. 
- 1928 – Padre Vicente Maria Cornélio de Paulo Borges – Primeiro padre que consta todo o inventário da Matriz, que se tem registro, incluindo transcrito para o livro do tombo; boletins, fascículos, cartas, circulares, resoluções, petições. Neste período constam reparos na Matriz, aquisição de casa paroquial, e de Harmônio, doação do Cel Pedro Teixeira de Menezes. No Seu inventário vale registrar 
“ as Imagens: São Gonçalo (duas), sendo uma pequena que se venerou nos primeiros tempos. Sagrado Coração de Jesus, Sagrado Coração de Maria, N.Sra do Rosário, N.Sra de Lourdes, São Geraldo, São Luiz Gonzaga, N. Sr dos Passos, N.Sra das Dores, São Francisco, São Vicente de Paulo, N.Sra Morto, Três bons altares, Um andor grande para o N. SR dos Passos e Um esquife de Senhor Morto “.
- 1931 – Padre José Joaquim Batista de Queiroz – Registra-se duas missas em louvor a colocação da imagem do Cristo Redentor no alto do Corcovado, Rio de Janeiro – As celebrações aconteceram no último domingo de outubro de 1931, houve passeata cívica das associações religiosas com presença da banda de Música Santa Cecília. Criação da Liga Católica Jesus,Maria,José.
- 1934 - Aquisição de novo lote para construção de Casa Paroquial.
- 1936 – A paróquia ficou sem padre.
- 1937 – Pe João Parreira Vilaça – 
- 1938 – Despacho Protocolar 1466 de S.Excia. Reverendíssimo D. Antônio dos Santos Cabral decretando o desmembramento da capela de São José dos Salgados, pertencente a São Gonçalo e anexando-a a Paróquia de Divinópolis, e desmembrando a Capela de Nossa Senhora das Dores, na aldeia dos Costas, pertencente a Divinópolis, e anexando perpetuamente a São Gonçalo.
- 1940 – Benção do Novo sino da Matriz.
- 1942 – Aquisição para o altar mor de 02 anjos adoradores, segurando dois candelabros de metal. Os anjos foram adquiridos na Casa Santos, Rio de Janeiro, através de donativos do povo, e das irmandades. Um sacrário de metal amarelo, 1,80 cm , doação do Sr Augusto Ferreira da Silva da cidade de Ouro Branco.Uma imagem de São Pedro, 1,10 cm, doação de Sr Pedro Teixeira de Menezes, imagem de Santa Isabel, Rainha da Hungria, adquirido com donativo popular. Imagem de N.Sra das Graças, doada pelos operários da fábrica de tecidos. Uma imagem de São Sebastião, doada pelos senhores boiadeiros, Uma imagem de São Vicente, colocada da Casa Pio X, Uma imagem de São Vicente, para a capela do Gaia, Uma imagem do Sagrado Coração de Jesus, capela da Prata, Uma imagem da N. Sra da Boa Morte, capela da Prata. 
- A casa paroquial recebeu nova mobília e nova pintura.
- Os três altares da Matriz foram envernizados.
- O batistério foi todo forrado e pintado.
- Foram adquiridos novos quadros da Via-Sacra e os antigos foram doados para a Capela do Gaia.
- A Matriz foi toda retocada.
- As torres receberam vidros de cores nas janelas e colocadas instalações elétricas.
- O Harmônio foi reformado e dotado de capa de brim amarelo, custos feitos pelo Sr Pedro Teixeira de Menezes. ]
- Aquisição de um quadro de Santa Cecília para o Coro da Matriz. 
- Foram reformados os Paramentos, alfaias e cálices, Aquisição de novos paramentos, alfaias, bandeiras da congregação, pia união e apostolado.
- A imagem de N. Sr Morto, acha-se exposta perpetuamente a veneração dos fiéis na sacristia em um belo túmulo de vidros bordados.


5

- A matriz é dotada de dois sinos, sendo um deles reformado pelo Sr Presidente do
- Estado, nas oficinas de Divinópolis.
- Foi construída para as reuniões das irmandades, conferências e retiros, um prédio, ao lado da casa Paroquial, que recebeu o nome de Casa Pio X. Foi construído com auxilio das irmandades, conferências e fieis em geral.
- Registra-se ainda neste ano, que a banda de Música Santa Cecília, pertencia a Matriz, estando os instrumentos e arquivo, sob o Patrocínio da Liga Católica, sob fiscalização do sr Gordiano Guimarães. Regente sr Rosalino de Moura.
- Registra-se também a inauguração da capela do Sagrado Coração de Jesus da Prata, iniciada em 1939.
- 1943 – Padre José de Souza Nobre- Tomou posse em 19/janeiro/43.
- 1944 – Plena normalização da documentação da Casa Paroquial. 
- 1945 – Padre Jesus do Vale Mendonça – tomou posse em 21/Janeiro/45.
- A banda de música encontra-se sem estímulo.
- 1946 – Pequenas reformas na matriz, pintura e retoques 
- 1947 – Padre Marciano Gonçalves Siqueira – fica por pouco tempo de 30/ abril/47 a 17/Janeiro/48.
- 1948 – Padre Altamiro de Faria – Em 01 /Fev/ 48 
- Festa do jubileu do Apostolado da Oração.
- 1949 – dia primeiro – Missa Festiva da Instalação do Neo-município de São Gonçalo do Pará.Toma posse como Primeiro Prefeito Sr Augusto Gomes. 
- Troca do forro e engradamento das torres, forro da Matriz, telhado, das cimalhas externas, troca do assoalho por ladrilhos, 
- 1951 – Aquisição pela paróquia de sinos para capelas filiais: capela do Gaia, capela do sagrado coração da Prata, Capela N.Sra Conceição de Ripas e Capela de Santo Antônio dos Venâncios.
- Aquisição do Relógio da Matriz – Mostrador Público para a Matriz – Fabrica de Relógios do Sr José Micheline e Filho – São Paulo.
- 1952 – A imagem de São Gonçalo é levada para belo Horizonte para restauração aos cuidados e direção de Casa Cor Ltda. “foi pintada novamente, decorada ricamente com traços a ouro e pedra, como se fazia na época em que foi feita e que remonta a provavelmente há duzentos anos” Livro do Tombo Pág 160.
- Em agosto, a imagem foi entregue a comunidade e foi recebida com festa, procissão e benção.
- 1953 - Padre José Raimundo de Freitas – Tomou posse em 25 /Janeiro/53 
- Instituiu o programa da Hora do ângelus pelo serviço de alto-falante da Igreja Matriz. Responsável era Sr José Gabriel de Freitas Júnior, sobre orientação do Padre. 
- Limpeza da igreja, lavação das partes recobertas com óleo e caiação das paredes. Devido aos estragos das andorinhas. 
- 1954 (junho 1954 a Janeiro de 1955) a cidade ficou sem pároco.
- 1955 – Padre José Kotulan – Foi pároco até final de 1956.
- 1957 – Pe Agostinho Ferreira Gomes – Empossado a 12 de maio.
- Dias 12 e 13 de outubro, realiza a primeira festa em Homenagem a N.Sra Aparecida. 
- 1959 – Há uma decadência da Banda de Música ainda pertencente à Matriz, devido à falta de músicos.
- 1960 – Reformas na Matriz.
- 1968 – Com a Criação da Praça Municipal, no Largo da Matriz, a mesma sofreu limpeza e seu entorno foi calçado, sendo em sua frente, colocado calçamento paralelepípedo e na lateral pé de moleque. 
- 1970 – Padre Raul Silva – 20 /dez/70 
- 1972 – A Matriz é beneficiada com água corrente. 
- 1976 – Matriz ganha imagem do divino Espírito Santo, esculpida em madeira, oferecida pelo sr Augusto Gomes Junior, em substituição a outra que desapareceu com o tempo.
- 1977 – Reforma da Matriz, A pintura de fundo do altar, substituída por cenas da Anunciação de Maria e o presbitério também recebeu transformações. 

6

- Aquisição de aparelho de alto falante. Substituição das cimalhas de madeira por 
réplica em cimento. Responsável: Josué Francisco da Silva.
- 1979 – Frei Pedro Paulo Chiaretti – toma posse em 02/fev/79 
- Reforma da Matriz – aumento do Presbitério, construção de estantes, O velho harmônio é jogado fora. Foram desfeitos de vários paramentos sacerdotais.
- Retoque da Pintura do quadro da anunciação no altar da matriz, pintura do óculo acima do altar mor, pintura parte interna da igreja da matriz.
- Colocação de colunas nas laterais da igreja e reforço das antigas.
- Substituição das ponteiras das duas torres, réplica em metal. Executada pelo Sr Josué Francisco da Silva.
- 1983/84/85 – Reforma do Telhado da matriz, mão de obra da Prefeitura Municipal e tintas. Restauração (repintura de todas as imagens).
- 1990 – Padre Roberto Cordeiro Martins – empossado em 25/março/90 
- 1992 – Reforma da Matriz – Laudo técnico: Engenheiros civis: José Geraldo de Souza, Crea 41335/D, Sra Ângela Santos Maria Nogueira Silva, Crea 29040/D e Sr Élvio Nogueira da Silva. Crea 16412/D.Autorizado conforme protocolo 100/92, livro II, folhas 159, cúria diocesana de Divinópolis. Reforma feita com recursos de donativos e campanhas. 
- Início das Obras em 19 de Maio/92.
- Pintura de toda a Igreja interna e externa, Substituição do antigo ladrilho por cerâmica. Reforma da parte elétrica.
- Inauguração da reforma da Matriz com presença do Bispo Dom José Belvino do Nascimento.
- 1995 – Padre Jair Simão 
- 1997 – Padre Clever Geraldo de Souza 
- Colocação de Gradil no lado esquerdo da Matriz.
- 1999 – conserto de aparelhagem de som da Matriz. 
- 2000 – Troca do telhado da Matriz, por novas telhas francesas. Pintura do fundo do altar mor, cópia da primeira pintura existente, conforme fotos antigas, realizada pelo artista Plástico Eduardo, Mateus Leme.
- 2005 – Padre Sebastião Ramos de Faria.
- Horário de funcionamento: é aberta diariamente, os responsáveis são membros das equipes pastorais, que se revezam, para abrir e fechar. Horário: 7:00 às 18:30 horas. Quando há celebrações, fica aberta até as 20:30 horas.
- Dias e horários de missas: de 5ª a sábado, às 19:00 horas, aos domingos sempre as 8:00 da manhã. Em caso de festas religiosas, há mudanças, e é feito uma programação própria. 
- Casamentos: durante todo o ano, dias agendados conforme decisão dos noivos. Não há batizados realizados nesta igreja.
- Festas: 01 a 10 de Janeiro – Festa do padroeiro – Novenas, shows, quermesse, leilões, missa todas as noites, programação própria, celebração de missa campal devido a grande participação popular. Nesta festa são envolvidas dez equipes pastorais. Há procissões percorrendo as ruas da cidade. Participações de toda a cidade, inclusive comunidades rurais, e visitantes de outros municípios. 
- Missa do Galo: Tradicional Celebração Natalina, que acontece ás 00:00 horas do dia 25 de dezembro. Bienalmente realizada na Matriz, pois é revezada com o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. 
- Semana Santa: Toda a celebração é realizada na Matriz, è uma data móvel, programação própria. Procissões pelas ruas da cidade, em especial a procissão do encontro, onde a imagem de Nossa Senhora das Dores, geralmente acompanhada pelas mulheres, saem de um local e a imagem de Nosso Senhor dos Passos, acompanhados pelos homens, vem de outro local diferente, e o encontro geralmente acontece em outra praça. Praça do Jatobá, São Cristovão, conforme programação e após prática e homilia seguem o cortejo juntos até a Matriz de São Gonçalo, onde as imagens ficam expostas para adoração dos devotos. Acontece também na sexta-feira santa, a tradicional encenação da Paixão e Morte de Jesus Cristo, realizada pela paróquia, ao vivo, implantada pelo P.e Cléver Geraldo de Souza, com a participação de voluntários da comunidade. A encenação é feita em palco/cenário do lado de fora da Matriz. A Semana Santa é uma das festas mais concorridas do município. 
- Corpus Christi: também uma data móvel, a procissão tem referência de saída da Igreja Matriz. O percurso que segue até ao santuário de Nossa Senhora Aparecida é
7

- todo ornamentado com tradicional tapete, trabalho realizado por voluntários e todos os alunos e professores da Escola Estadual Benedito Valadares.
- Mês de Maria: O Mês de maio é consagrado a Nossa Senhora, acontece as tradicionais coroações feitas somente por meninas, vestidas de anjos. Durante todo o mês, após as missas realizadas aos sábados, acontece a coração da imagem de Nossa Senhora do Rosário. 
- Atualmente os pertences da Igreja Matriz são: 
- No Presbitério: Imagem de São Gonçalo, Sagrado Coração de Jesus, Sagrado Coração de Maria, 2 imagens de anjos adoradores, Credencia, sino, altar, 3 cadeiras, 2 bancos, 1 carpete, 2 genuflexórios, 2 ambãos, 14 quadros da Via-Sacra, 08 caixas de som (pilastras), 05 ventiladores, 40 bancos, imagem de Nosso Senhor Morto, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora da Conceição, São Luiz, Santa Izabel, São Tarcísio, Madre Tereza, São José, Santa Luzia, Santa Rita, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, São Sebastião, Santo Antônio.
- Fundo da Igreja: Pia Batismal, Porta velas, Mesinha e Banquinho (marcar intenções), mural, imagem de N.Sra das Dores, Nosso Senhor dos Passos, Sagrado Coração de Jesus, São Judas, Santa Bárbara, São Geraldo, Duas Cruzes.
- Coro: Imagem de santa Inês, Santa Terezinha, São Francisco de Sales, Armário, 02 bancos, 12 banquinhos, 02 cadeiras. 
- Sacristia: Relógio, espelho, filtro, cômoda, caixa, armário lecionário santoral lecionário dominical, lecionário semanal, lecionário ferial, missal romano (atual e antigo) 02 ritos do matrimônio, 01 diretório da liturgia, 17 toalhas (enxugar as mãos) 25 corporal, 05 patena, 21 sanguíneos, 08 capas de almofada, bíblia sagrada, crucifixo, som, 02 microfones, 01 suporte para microfone, 02 suportes velas, imagem de São Gonçalo, 06 âmbulas, 01 ostensório, 02 cálices, 02 galheta, vasilha (água benta) 04 cestos de coleta, Jarro de purificar as mãos, 01 turíbulo,
- Armário da Sacristia: 19 pratinhos (colocar debaixo de vasos) 01 ferro, 09 suportes para arranjo, 06 Castiçal com um a vela, 04 Castiçal com 07 velas, suporte para velas, 07 vasos brancos maiores, 06 vasos brancos menores, 05 vasos verdes.
- 2008 – Padre Marcos Antônio Rocha 
- Em fevereiro de 2009, a torre esquerda da igreja é atingida por um raio e sofre vários danos, ficando comprometida e interditada, para avaliação e reformas e reparos. 

A Matriz de São Gonçalo do Amarante, da cidade de São Gonçalo do Pará, por esses motivos, teve um papel de destaque na história social e cultural do município, e ainda hoje ocupa uma posição importante no espaço das relações sociais da cidade. 



Flávio Marcus da Silva 
Historiador. Doutor em História/UFMG
Arnaldo Mendes
Bacharelado em Artes Plásticas/UEMG

1

Descrição e análise do bem Cultural
Matriz de “São Gonçalo do Amarante”
São Gonçalo do Pará

Sem registros precisos sobre sua construção a Matriz de São Gonçalo do Amarante – com santo padroeiro dos tropeiros, mascates e viajantes – fora hipoteticamente soerguida de 1750 a 1760, data última insistentemente relatada pelo historiador Sangonçalense Geraldo Moreira, quando do surgimento da cidade de São Gonçalo do Pará, possivelmente em substituição ou ampliação de uma construção precária entendida como a primeira capela construída pelos povoadores no início do século XVIII. De fato, a provisão do Vigário Capitular não comprova com exatidão a data de sua construção, podendo ser remetida ao início do século XIX, ou mesmo advir de sucessivas ampliações ao longo de sua história, até resultar no templo que ora enobrece com altivez o largo da Praça JK, no centro de São Gonçalo do Pará, resguardando a singularidade de ser o templo religioso mais antigo da sede Municipal, que se mantém soerguido. 
A edificação da Matriz de São Gonçalo do Amarante se desenvolve sobre planta baixa com Partido Arquitetônico basicamente retangular alongado, com nave central recortada longitudinal e primeiramente, por duas torres bilaterais, dispostas na porção anterior da edificação junto à fachada frontal, e, posteriormente pela inserção de volume correspondente à sacristia e dependências de apoio da Matriz, com planta semi-hexagonal, proporcionando à construção uma extensão monumental que vista obliquamente se afigura como templo majestoso.
A implantação da Matriz no terreno, por sua vez ligeiramente inclinado, conforma o eixo longitudinal ao longo da curva de nível do solo reclinado, descendente da esquerda à direita, o que salienta ainda mais o partido arquitônico longilíneo da composição, adjacente ao “grade” natural do terreno em sua porção esquerda e levemente elevada junto à fachada lateral direita, montada em baldrame entrecortado por contrafortes de estruturação da edificação, mantendo em sua plenitude a mesma cota de arrasamento, conduzindo convidativa e confortavelmente o fiel frequentador tanto à portada de acesso principal com marco reentrante encimado por arco abatido estilizado, composto por duas folhas geometricamente almofadadas em madeira pintada, tudo centrado em relação à fachada frontal tida como principal, quanto também às portas de acesso lateral. 
O volume obtido suspenso a partir da base em baldrame recortado por contrafortes, junto ao perfil natural do terreno, é densamente compacto com afirmativa alusão barroca, essencialmente Barroco Mineiro, construído com técnicas e repertório de materiais próprios da Arquitetura Colonial, testemunho edificado nas cercanias de Minas Gerais, num passado que marcou história.
Duas torres estanques e estilizadas de base quadrangular, ao longo das paredes de sustentação das quais são aritmeticamente estampadas esquadrias de janelas de madeira nas quatro faces da torre e que permitem a propagação do som ao badalar do sino, são cobertas por pirâmide aguda com seus lados e arestas em telha cerâmica embutida por pináculos pontiagudos, maciços de arremate convenientemente de estilo rococó, tencionando as tendências ultra barrocas, e que, se elevam emoldurando frontão triangular também estilizado dispondo óculo curiosamente desenhado, acima da qual se esteia uma cruz latina aprimorada, estigma fervoroso do cristianismo, como detalhe crucial. Na transição entre a base volumétrica em paralelepípedo horizontal avança proporcionalmente cornija rococó proeminente que rodeia a fachada frontal e a qual são geometricamente inseridas três janelas de madeira encimadas por arco abatido estilizado, cada um com duas folhas e postigo de madeira emoldurando vidro, com guarda corpo entalado de balaústres também de madeira, em cuja janela central se referencia a portada única e principal de acesso à Matriz, com marcos de folhas duplas almofadadas, esculpidos em madeira maciça arrematada superiormente em arco abatido talhado, contra-verga que influencia o desenho das demais esquadrias de porta e janelas da Matriz. O todo volumétrico é impregnado pela demarcação estrutural dos esteios de madeira que pendem desde o baldrame, no plano de fundação até os frechais e contra-frechais do telhado, sempre despontados por elementos decorativos de ornamentação em equinos, capitéis, cimalhas e molduras entalhadas. 
O telhado que arremata a cobertura do volume da edificação é disposto anteriormente em duas “águas” e posteriormente, a partir do escalonamento, em três “águas” com faces radiais definidas por espigões concêntricos. Originalmente, o telhado foi 
2

construído com engradamento de madeira coberto com telhas cerâmicas curvas do tipo “capa-e-bica”. Atualmente, com o telhado reestruturado conservando sua conformação inicial, as telhas originais foram substituídas por telhas também cerâmicas do tipo “francesas”coroando com perfeição o jogo volumétrico da edificação. 
As fachadas, todas evidentes com propriedade estilística, são claramente alusivas, privilegiando a fachada frontal, já definida como fachada principal com ornamentação mais requintada, em alvenarias rebocadas e pintadas, onde alem da portada centrada, com arco abatido, único acesso frontal da Igreja sobre a qual elevam três janelas simetricamente centradas, com peitoril entalado, de forma estilizada, correspondentemente ao coro interno da nave da Igreja, ao lado das quais perpassam desde a base demarcação protuberante que se espreita ascendentemente até atingir as torres laterais, donde da torre esquerda culmina o relógio e da direita o sino, ornatos de referencia da comunidade. 
Reforçando a sugestão do triângulo a partir do frontão, a aresta das duas “águas” do telhado anterior define, com inclinação, o coroamento da Nave Central e única, com tratamento ornamental também com cornijas molduradas barrocas, abaixo da saia do beiral embutido, depurada e estilizada, decorrendo na porção mediana do conjunto, um ressalto que prenuncia a possibilidade de duas etapas diferente de obra, denunciando ampliação sofrida pela Matriz nos tempos de outrora. As fachadas laterais são demarcadas por contrafortes simplificados e definidos pelos pilares que sustentam as paredes laterais de alvenaria rebocada e pintada da Nave Central, e única, entrecortadas por janelas no redesenho das esquadrias da fachada principal, salientando-se com arco abatido, permitindo acesso Juno às laterais esquerda e direita do altar elevado. Vale salientar que o “registro” das esquadrias de portas e janelas que compõem as fachadas laterais retrata com clareza duas composições distintas de cheios e vazados, um para cada qual dos trechos das fachadas separadas pelo ressalto presente na cobertura, evidenciando a probabilidade de edificação ter sido construída em várias etapas no transcorrer de sua trajetória. 
Internamente, a Matriz de São Gonçalo do Amarante dispõe de espaços relativamente generosos fielmente resultantes da volumetria externa, espaços assim conformados: anteriormente pelo coro em mezanino logo da portada principal: logo após pela Nave única de pé-direito considerado monumental se comparado á estreita largura da igreja, e, posteriormente após o cruzeiro, pelo presbitério com altar-mor relativamente elevado à Nave principal, com altar e dependências adjacentes, reentrantes, ladeados por balaustrada conformando coros laterais que se insinuam até à parede posterior do altar, donde aliás pende acesso às dependências de apoio da igreja, feito Sacristia. O teto forrado em lambri de madeira anuncia correspondentemente o desenho do telhado em duas “águas” da Nave Central e única, ainda numa simples menção Barroca, já quase rorocó.
Enfim, com interferência sem descaracterização da integridade da edificação, a Matriz de São Gonçalo do Amarante, expoente e remanescente máximo da grandeza história e do acervo arquitetônico de São Gonçalo do Pará, repousa harmoniosamente nas imediações do Cemitério Municipal, com o qual suporta com pertinácia as intempéries do transcorrer do tempo, tradição e memória Sangonçalense.

São Gonçalo do Pará, abril de 2005

Osvaldo da Fonseca Filho.




TAG's: Igreja, Matriz:, patrimônio, histórico

Inicial | Voltar
Link permanente: