Culinária mineira

Poucas pessoas conhecem o que está por trás de uma simples mordida num biscoito caseiro. Poucas pessoas conhecem a história, que por gerações a fio estabeleceram o sabor, a textura, o aroma e principalmente, as lembranças que carregamos com o passar do tempo.
Quem não conhece a Dona Lena dos Biscoitos?
Quem nunca ouviu falar da arte desta mulher simples e que encanta a todos que apreciam a arte da culinária mineira?
Maria Madalena dos Santos Mota é o nome dela, natural da comunidade do Quilombo do Gaia pertencente ao município de São Gonçalo do Pará/MG, onde começou sua arte. Dona Lena teve nove irmãos e dos ensinamentos de sua mãe aprendeu o ofício de fazer biscoitos, roscas e bolos, que por sua vez aprendeu com sua avó uma arte que atravessou os tempos. Na verdade, a cada semana sua mãe, Dona Malvina, escolhia uma das suas filhas para aprender prendas domésticas. Ela considerava “feio” moça casar sem saber as coisas de casa. E assim, cada semana uma filha aprendia desde a caprichada arrumação da casa, aos segredos de cozinhar com um “temperinho” bem particular, e a fazer biscoitos. E foi assim que Madalena, a Dona Lena, aprendeu e trouxe consigo o talento da fazer deliciosos biscoitos.
Quando ainda jovem, Dona Lena veio para São Gonçalo morar com a irmã Gumercida que havia se casado e trabalhava na Padaria do Sr Acácio Amaral, onde hoje é a Padaria do Zé do Batista. Ela, também, trabalhou no restaurante do Geraldo Mecânico, que funcionava onde hoje é o Supermercado Sempre mais.
Em 1965 dona Lena casou-se com Pedro Mota Neto, o Didico e com ele teve três filhos: Neide,Neire e Nereu. Ela voltou a morar por aproximadamente um ano na Comunidade do Quilombo do Gaia e depois se radicou definitivamente em São Gonçalo do Pará. Na época, ainda com filhos pequenos, Dona Lena não trabalhava e sua irmã, Gumercinda, já fazia biscoitos... E pediu ajuda a irmã pois o reconhecimento da população pelos saborosos biscoitos geraram encomendas que superavam as expectativas. Foi o divino sinal que veio para Dona Lena começar a fazer seus próprios biscoitos. É isso mesmo, minha gente: a arte que aprendeu com a mãe, Dona Lena aprimorou com a irmã até estar apta a seguir seu próprio caminho. Já se vão aproximadamente 40 anos e a primeira cliente, Sara do Iaracy Machado, ainda lembra com muita saudade dos bons tempos. Não se pode contabilizar a quantidade de biscoitos produzida por Dona Lena. Sabe-se apenas, que foram muitos biscoitos Sequinhos, Branquinho (de banha), Escaldado (na folha de bananeira) e escaldadinho, cozido, puba. Bolos de fubá e roscas caseiras. Além de ajudar nas despesas, a arte de fazer biscoitos se tornou “história” e Dona Lena ainda aceita encomendas. Faz tudo conforme aprendeu com a mãe, que aprendeu com a avó, que aprendeu... E por aí vai! Dona Lena segue um rigoroso ritual: varre o forno de barro até ficar tudo bem “aceiado”. Depois prepara as massas em gamelas, ajeita os produtos nas assadeiras ou folhas de bananeira, retira os aceiros e coloca para assar. Em pouco tempo o cheiro se espalha e a mesa está sortida.
As filhas de Dona Lena aprenderam o ofício, mas o talento é uma coisa bem individual e elas não se dedicaram. O bom de tudo é que depois de todos estes anos, dona Lena ainda conta com a ajuda do marido e assim este conhecimento, este “verdadeiro saber”, durante muitos anos foi complemento de renda de Dona Lena e um ganho para todos nós, que já saboreamos as delícias feitas pelas mãos desta maravilhosa biscoiteira. A arte de Dona Lena ainda resiste ao tempo com um “aroma” inconfundível e aquele jeito mineiro de fazer as coisas. “É comer pra crer!”




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